A320 – França – Vou me lembrar – Queda de avião ou bomba?

Intrigante o tipo de sociedade em que vivemos. Existe uma comoção mundial quanto ao A320 que desintegrou no ar matando 150 pessoas.


Notícias – 25 de março de 2015

Por: Marcos Martins Munck

A320_Lufthansa_queda_aviao_bombaCom certeza todos viram e possuem uma opinião sobre o Voo 4U 9525, do AirBus A320, da Germanwings, que fazia a rota de Barcelona (Espanha) a Dusseldorf (Alemanha) e caiu nos Alpes Franceses.

Intrigante o tipo de sociedade em que vivemos. Existe uma comoção mundial quanto ao A320 que desintegrou no ar matando 150 pessoas.

Em TV, Rádio, Internet, etc. o assunto só gira em torno dessa tragédia. A atenção dada ao caso caiu como uma bomba nas redações, mudando o foco de tudo, afinal 150 pessoas morreram de uma vez.

Tudo para transformar o assunto como o de maior importância. Todos dizendo que deve ser apurado, que é trágico, precisamos descobrir o que ocorreu, se foi falha ou não, políticos visitando o lugar, dando declarações, governantes mundiais e autoridades prestando ajuda e socorro, deslocando equipamentos, pessoas, dinheiro, para apurar, ajudar… Ok! Está justo, afinal somos humanos(!?), é momento de solidariedade, união, pois muita gente inocente morreu.

Mas pergunto: e quanto aos 126 mortos e mais de 300 feridos com bombas no Iemen? Será que não são pessoas? (clique aqui para saber mais)

Não é mais trágico, digno de uma intervenção mundial, destaque, etc., dizer que pessoas, propositalmente, por um ideal doentio, mataram o equivalente à queda de três A320 no último final de semana?

Não é doentio que a Mídia e a sociedade como um todo ache “fantástico”, uma “breaking news” quando um avião cai matando todos os passageiros, mas não tão emocionante “quando pessoas se explodem” em uma praça/mercado?

A explicação? Talvez seja porque cai “em média” um avião por ano apenas!? Por outro lado, a gente se explode diariamente, mas o sentido muda?

Diariamente no trânsito, trabalho, em casa, matamos “apenas” quem está próximo, seja com palavras, atitudes ou armas. Dia sim, dia não uma bomba explode em algum lugar do mundo. Mas afinal isso é cotidiano, e cotidiano faz parte da vida, certo? É isso mesmo? Ainda existe quem torça para assistir uma desgraça? Essa é a sociedade que queremos viver?

Perdemos o senso de tragédia? Uma máquina que tem peças sujeitas a falhar, quando falha é tragédia. Mas uma sociedade pensante(!?), feita para “viver em harmonia” (pois é pensante!) ter senso crítico, razão, emoção, sentimentos, quando falha em todas as esferas (política, relacionamento pessoal, humana, respeito, etc. ), quando destrói tudo ao redor, a natureza, família, etc. é algo esperado e aceitável? Vamos continuar pensando igual e assistindo tudo ou, ao menos, vamos tentar não nos conformar e transformar o próprio mundinho, primeiro mudando o pensamento, para depois uma melhor experiência?

Que diferença existe entre quem explode uma praça e mata milhares, para quem mata com palavras sua família?

Qual a diferença que temos feito no dia a dia? Ou estamos matando, vivendo e assistindo a tragédia na França? Vale como reflexão ouvir a música do Resgate, Vou me Lembrar:

Lembre-se de quem bebeu do fel amargo de uma taça
Que ainda existe quem torça pra assistir a uma desgraça
E dos fariseus, que engordam com aquilo que é nosso
E dos mercenários que cobram pra nos dar o que é de graça

Lembre-se de quem gera das entranhas o Seu povo
Que valemos mais do que o mundo inteiro com o seu ouro
Que aquele sacrifício, é vivo e permanece sobre todos nós para sempre

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