Adeus ano velho?

As pessoas esperam um ano novo com o mesmo objetivo com que acessam o Facebook: pela expectativa de que algo extraordinário vai aparecer…


Revista 11 – Dezembro 2013 / Janeiro 2014

Por: Claudia Giron Munck é Bacharel em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, Pós-Graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, especializada em Marketing e Mídias Digitais.

Stress_paulista_tempo_trabalho_jesus_mariaAs pessoas esperam um novo ano com o mesmo objetivo com que acessam o Facebook: pela expectativa de que algo extraordinário vai aparecer, ou ao menos engraçado… mas nada acontece.

Já reparou como é frustrante quando acessamos o Facebook e só te
m as mesmas imagens prontas e frases feitas de sempre? Ou o boa noite faces, tô indo almoçar, tô no trânsito. Sem contar as frases “poéticas” descabidas, as sem final, sem o menor sentido e, claro, aquelas que deveriam ser uma indireta pra uma pessoa só, mas você a solta publicamente para trilhões de pessoas que não fazem a menor ideia do que você está falando. Para mim, as mais célebres são aquelas pessoas que ficam postando o tempo todo: vou te dar um gatinho.. Deus deu uma vida pra cada um cuidar da sua! Ou, se o meu sucesso te incomoda, não me abalo com sua inveja. Tudo isso como se a vida deles fosse realmente tão importante ou interessante pra que o mundo só se preocupasse em discutir sobre esses umbigos.

E você fica se perguntando: porque cargas d’água fico lendo isso?

Aliás, é incrível como temos o dom de transformar uma ferramenta especialmente deslumbrante, em algo totalmente chato e monótono. Isso porque não importa o quanto avançamos em tecnologia ou o quanto desenvolvemos e implantamos ideias, o que torna qualquer coisa real é o apropriamento que é feito dela. E as pessoas são as mesmas sempre.

Falamos tanto da televisão que manipula, fala futilidades e não presta, mas quando olhamos para as mídias que são feitas pelo povo, os espaços onde temos voz, vemos exatamente a mesma coisa que tem na tão cruel e vilã televisão: NADA.

Que conteúdo você tem visto por aí? Ou melhor, que conteúdo você tem postado? Os jovens nascidos depois de 88 não escrevem mal, escrevem muitooooooo mal. E não me venha com esse papo malandro de que a linguagem é válida quando se entende, mesmo que gramaticalmente não esteja correta. Eu não entendo “sego” escrito com “s” ou “axu ki”. Bons conteúdos estão ficando extintos porque tudo tem que ser rápido e volátil e há uma preguiça generalizada disfarçada de pressa, que não nos permite mais ler e, muito menos escrever. Agora é a era da imagem. Que pode ser adulterada, omissiva ou inventada, mas que tomamos por verdade. As imagens é que valem.

A expectativa de algo interessante é frustrada no Facebook, assim como é no Ano Novo, porque, como disse, as pessoas são as mesmas. E o ano começa sem dietas, academias ou qualquer coisa nova porque as pessoas não mudaram. A cabeça não mudou. Como você espera um novo ano ou novidade de vida se continua fazendo as mesmas escolhas e tomando as mesmas atitudes? Como acha que algo pode mudar simplesmente porque mudou a folhinha do calendário ou porque o relógio marcou meia-noite de mais um ciclo de 365 dias, mas em que o seu caráter e a sua postura foram os mesmos? Nada vai mudar.

E muito menos espere que algo interessante aconteça porque, na vida, você toma as mesmas atitudes que no Facebook (até porque o ambiente virtual é movido por pessoas reais, que são na web o que são na vida): quando nada de interessante acontece, você simplesmente fecha a página e empurra com a barriga até os próximos 5 minutos, quando vai checar de novo. Pouquíssimos são aqueles que, ao se deparar com algo estático e monótono, fazem algo interessante.

Enquanto a preguiça e a mesmice dessa era urgente e das redes sociais forem um reflexo de nossas vidas, o mundo será o mesmo. O Ano Novo só será novo quando você fizer a diferença, quando você em vez de esperar, passar a ser o “algo interessante”. Porque quem fica em cima do muro, cai. E quem é morno, é vomitado.

Então, nesse novo ano, eu desejo que você pare de procurar a felicidade e passe a ser uma alegria na vida das pessoas. De qualquer pessoa. Não, melhor… de todas as pessoas que estão à sua volta. Que você deixe de ser o espectador passivo, monótono e constante, e seja o sal.

É, o sal. Porque já reparou que não importa onde ele é colocado, sempre fica o gosto dele? Ele tem uma dosagem certa, sem exageros. É um sabor que se sobressai, que é marcante, que faz a diferença, que é único. Seja sal na Terra! Não espere… seja.

Deixe esse novo ano com o seu gosto. Aí sim, você poderá dizer: “Adeus vida velha!”… e muitas coisas interessantes irão acontecer!

2 comentários em “Adeus ano velho?

  • 10/01/2012 em 10:55
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    Ser sal da terra faz toda diferença.Dá trabalho,mas vale a pena

  • 10/01/2012 em 10:49
    Permalink

    Gostei.Parabéns pela reportagem

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