Bullying – Brincadeiras que transtornam

Com certeza você já viu ou ouviu falar de agressões desse tipo, mas você sabe como identificar e combater essa situação?


Revista 09 – Agosto 2013

Como você se sentiria se estivesse no lugar desse garoto. Por outro lado, por qual motivo ele não reagiria às ofensas?

A ilustração ao lado demonstra uma realidade muito comum entre crianças e adolescentes, dentro e fora das escolas. Com certeza você já viu ou ouviu falar de agressões desse tipo.

O termo Bullying é novo, mas a sua prática é bem antiga. Também conhecido como assédio moral, é um comportamento que tem causado grande preocupação para professores, pais e alunos.

Começa como uma brincadeira que vai ficando séria. Em alguns casos, as provocações são nítidas e terminam em violência física. A doutora Maria Isabel Leme, do Departamento de Psicologia da Aprendizagem do Desenvolvimento e da Personalidade da USP conceitua o Bullying como “uma perseguição constante contra uma pessoa que não fez nada para provocar, geralmente disfarçada como brincadeira. O motivo é totalmente fútil, como aparência física, dificuldade na pronúncia, entre outros”.

A forma mais comum é o xingamento. Os jovens chamam os outros por apelidos ofensivos por motivos como altura, peso, cor da pele e até deficiências físicas.

Os agressores geralmente agem em bandos e tem uma necessidade constante de chamar atenção. Os amigos são atraídos pelo medo e não pela amizade. Para se defenderem muitos se associam aos agressores simplesmente para não serem agredidos.

Os jovens que praticam o Bullying procuram vítimas que apresentam um comportamento tímido e recolhido, ou um porte físico menor que o deles. Para Maria Isabel Leme, “ele é, em primeiro lugar, inteligente por que é capaz de localizar a vítima em potencial, quase sempre a pessoa que demonstra intimidação e medo diante das provocações. Além disso, sabe disfarçar a crueldade em forma de brincadeira, de modo a não poder ser acusado de estar perseguindo alguém. A crueldade e covardia que demonstra mostram que precisa de orientação que nem os pais, nem a escola estão dando”, esclarece a doutora.

Propostas para combater

Embora existam casos de violência física, entre garotas o assédio moral é mais sutil. São boatos ou fofocas espalhados para destruir amizades e causar confusões. Mas isso pode ser tão doloroso quanto uma agressão física.

A professora Myrian Taeko Kono Watanave dá aulas há mais de vinte e cinco anos na rede pública de ensino. Atualmente, ela trabalha como coordenadora pedagógica em Guarulhos e o Bullying é um antigo conhecido. Ela realizou um trabalho de conscientização sobre o Bullying em forma de orientação técnica pedagógica para todos os professores coordenadores das escolas escolas. “Utilizei várias situações de Bullying que podem acontecer. Fizemos estudos de casos, falamos sobre as emoções que isso nos despertava e qual poderia ser a conseqüência disso quando aplicado de forma repetitiva. Depois, para sistematizar todas as reflexões e discussões apresentei uma proposta de construção de um projeto na escola”.

O resultado foi o desenvolvimento de um projeto específico para cada situação. Além de discutir mais profundamente o problema com aqueles que frequentemente se deparam com situações de Bullying nas salas de aula.

Que consequências esse tipo de “brincadeira” pode trazer para quem pratica e sofre Bullying?

Muitos meninos que foram agressores continuam o seu estilo de comportamento mais tarde na vida. Como adultos, eles estão em maior risco para a criminalidade, a violência conjugal, abuso e assédio sexual.

Em 1961, os Doutores Donald David West e Farrington da Universidade de Cambridge estudaram o comportamento de mais de 400 meninos em idades de oito a 32 anos. O resultado da pesquisa foi assustador. Encontraram condenados que relataram um comportamento problemático em sua fase escolar. Alguns iniciaram com a mentira e desonestidade entre os 12 e 14 anos. Depois, passaram a ser mais violentos com palavras e ações e, após completarem 14 anos, iniciaram as intimidações aos mais frágeis.

Recentemente circulou na imprensa o caso da princesa Aiko, de oito anos. Filha única do herdeiro do trono do Japão, Naruhito, ela passou dias sem ir à escola queixando-se de dores no estômago e ansiedade.

Embora o porta-voz do governo tenha informado que não se tratava de um caso de Bullying, muitas agências de notícias deram por motivo que um grupo de colegas intimidou vários alunos, inclusive a princesa.

O comportamento de quem sofre Bullying é radicalmente transformado e pode levar a consequências para o resto da vida. A maioria dos alunos se cala, com medo de represálias ou de serem vistos como fracos e dependentes. Mas os sintomas são claros: resistência inexplicável de ir à escola, medo ou ansiedade incomum, distúrbios do sono e pesadelos; queixas físicas como dores de cabeça e de estômago, especialmente nos dias de aula.

A psicóloga Maria Isabel Leme orienta que uma alternativa para pais e educadores é o diálogo com ambos os lados. “Conversem sobre valores como direito ao respeito de toda e qualquer pessoa, do que pode significar para alguém ser ridicularizado em público, da humilhação que deve estar sentindo. Acho que deve ser conversado sobre o que é covardia, crueldade e outros atos condenáveis, o que me parece que não é mais objeto de preocupação na educação atual”.

Como se defender e agir

Alunos
– Andar em linha reta e alta se confrontado com um valentão e olhá-lo diretamente nos olhos.
– Seja educado, mas firme. Diga: “Pare com isso, eu não gosto. Deixe-me sozinho”.
– Se possível, não chore ou mostre que você está chateado.
– Conte para um adulto de sua confiança o que você tem passado.

 

Pais
– Procure conversar com seus filhos. Em casa, os sintomas são mais escondidos, mas em algum momento eles podem mostrar que há algo errado.
– Entre em contato com a escola do seu filho e pergunte se existe uma política de intimidação à prática de Bullying.
– Vá às reuniões escolares e procure juntamente com os professores a melhor maneira de prevenção.
– Ao escolher uma escola para seu filho, você deve perguntar ao diretor se há uma política antibullying e, em caso afirmativo, como ela funciona. Se você ouvir: “Nós não temos esse problema aqui”, não acredite nisso. O problema existe em todas as escolas.


Professores
– Converse com a direção da escola para saber se há algum projeto específico contra o Bullying.
– No Instituto de Psicologia da USP é possível marcar uma conversa entre psicólogos e professores que trabalham com a questão da violência.
– Oriente aos alunos que este tipo de “brincadeira” é condenável, que pode causar sofrimento e que não deve ser praticada.


Conclusão

Há uma história muito interessante sobre posicionamento diante das dificuldades. A cidade de Judá estava em guerra e nela morava um homem que tinha quase três metros de altura. Ele se chamava Golias e ninguém tinha coragem de enfrentá-lo. Certa vez, ele desafiou um rei dizendo que se alguém o enfrentasse sozinho e o derrubasse não haveria mais guerra naquele lugar. 

Após várias tentativas frustradas, um jovem de estatura mediano, chamado Davi aceitou o desafio. Em nome de Deus e munido de muita coragem e algumas pedras ele não só derrubou o gigante, mas provou que a sua determinação e força de vontade foram suficientes para que ele tivesse a sua vitória.

Esses “gigantes” podem vir na forma de apelidos ofensivos, alguma deficiência física, cor da pele, desemprego, alcoolismo, intrigas, pouca auto-estima, enfim, uma série de problemas que devem ser enfrentados da mesma forma que Davi enfrentou Golias. No nosso dia a dia é comum enfrentarmos alguns gigantes. Quando você acorda e sai de casa para ir à escola ou ao trabalho nem imagina o que o dia lhe reserva. Os fatos vão acontecendo e o seu posicionamento diante dos problemas é que vai garantir a sua tranqUilidade.


ATENDIMENTO:

O atendimento psicológico no Instituto de Psicologia da USP não é cobrado. Os interessados devem procurar o Centro de Atendimento Psicológico que fica no bloco D do Instituto. Porém, é bom ligar antes para saber como deve proceder para ser atendido. O telefone é (11) 3091 4172.

Por: Ana Cristina F. Pinho 
Jornalista


CONFIRA O DOCUMENTÁRIO – 
Bullying na escola

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