Chile: dicas de viagem

O Chile é uma ótima experiência. Há passeios para quem gosta de vinho, para quem gosta de andar de bike, para fanáticos por praia e, até para os simpatizantes do frio!

Notícias – 28 de janeiro de 2015

Por: Daniela Antoniazzi é preparadora e revisora de textos; formada em Letras inglês/português pela FFCLCH USP e especialista em tradução.

Palacio_da_Moeda_07Visitar o Chile é sempre uma ótima experiência. Há passeios para quem gosta de beber um bom vinho, para quem gosta de andar de bike, para os fanáticos por praia e, até para os simpatizantes do frio, afoitos por seu primeiro contato com a neve, sua primeira experiência de esqui.

A visita à Santiago do Chile e seus arredores pode ser dividida em duas épocas do ano: a primeira no verão, para conhecer a cidade, sua vinhas e as cidades praianas mais próximas ou conhecidas, como Valparaíso e Viña Del Mar. A segunda no inverno, para conhecer o Valle Nevado e seus arredores, assim como Sewell, uma importante cidade mineradora ao norte.

Aqui, falaremos um pouco sobre os principais passeios, restaurantes, transportes e comentaremos alguns preços também.

TRANSFER AEROPORTO – HOTEL

Chegando ao aeroporto de Santiago, pegue um transfer até o hotel. O transporte pode ser feito de táxi (12 mil pesos chilenos até o hotel) ou por meio de vans que cobram em torno de 16 mil. Na primeira vez, por não ter ideia de preços, achamos que as vans seriam mais baratas, mas depois descobrimos que os táxis funcionam melhor: primeiro porque são mais baratos, depois porque te levam direto a seu hotel, além de não precisar esperar o carro encher.

ONDE FICAR

Santiago_05Importante: pague o hotel no cartão de crédito ou em dólar.

Apesar dos 6,38% de impostos cobrados pelo governo brasileiro quando movimentamos o cartão no exterior, os hotéis chilenos ficam 19% mais caro quando qualquer pagamento lhes é feito em pesos chilenos, cobram uma taxa de IVA. Pagamos no cartão de crédito e o hotel com café da manhã ficou o preço que pagaríamos em pesos sem café da manhã!

Um bom lugar para ficar é o bairro da Providência. Em nossa primeira estada, ficamos no Ibis Providência, padrão Ibis de conforto e preço, num ótimo bairro, com bares e restaurantes muito próximo ao hotel. O Ligúria, por exemplo, está logo ali, acho que na mesma quadra. Este hotel fica próximo também ao Pátio Bella Vista, ao qual se pode ir e voltar à pé. Se gostar de caminhar, é possível ir até o centro andando, vai gastar em torno de meia hora, mas vai aproveitando a paisagem da cidade, descobrindo universidades, museus, a Biblioteca Nacional do Chile, o Museu de Bellas Artes, etc. Lembramos que ao contrário de São Paulo, a cidade é bastante plana, o que nos inspira a caminhar. Em nossa segunda estada, ficamos no Ibis Estação Central. O hotel, qualidade e preço Ibis, sem problemas. Mas, sentimos falta do prazer de caminhar na noite Chilena. Esta região lembra-nos a rua 25 de Março em São Paulo: bastante movimentada e suja.

O QUE FAZER

Santiago do Chile é uma cidade para longas caminhadas em largas avenidas e até no centro. Destacamos como atrações culturais o Museu de Bellas Artes, a Biblioteca Nacional do Chile (pequena, mas que lembra muito a de Nova Iorque), o museu de Arte Pré-colombiana, Museu histórico Nacional, o Palácio da moeda e a Catedral Metropolitana. Ainda no centro, há o Mercado Central, a Plaza das Armas e o Cerro Santa Lúcia.

Próximo ao Pátio Bella Vista, há o Cerro São Cristovão que pode ser subido através do funicular, que tem uma parada no Zoológico, dependendo do horário da sua subida. Se desejar conhecer o zoológico, avise no momento em que for comprar seu tíquete para o funicular, pois o ingresso é diferenciado. É possível subir ao Cerro a pé, de bicicleta ou de carro também. Neste caminho, há a possibilidade de para nas piscinas públicas. No alto do Cerro, há o Santuário da Imaculada Conceição do Cerro de São Cristóvão.

Antes da subida para o Cerro São Cristóvão, entretanto, há o Museu La Chascona, uma das casas de Pablo Neruda (Rua Fernando Márquez de la Plata, 0192, Bellavista). Nesta casa ele morou com sua última esposa (que havia sido sua amante durante algum tempo). Mesmo para quem não gosta de poesia, é um passeio imperdível, pois o formato da casa, seus jardins e sua biblioteca merecem ser conhecidos.

ONDE COMER

Santiago do Chile (179)2

Mestizo (Imperdível!)

Av. Bicentenário, 4050 – Vitacura.
Este restaurante me foi indicado por uma arquiteta. Não precisa dizer, né? A arquitetura é incrível, imagina um telhado sustentado por grandes pedras? Para completar, ele fica no final do Parque Bicentenário, o que dá certo charme e conforto para degustar a comida que também é ótima. O cheviche, embora servido como “entrada”, é suficiente para uma pessoa jantar Com certeza, o melhor ceviche que já comi.

• Osaka – Restaurante japonês

Considerado por muitos o melhor restaurante japonês da cidade. Já tem uma filial em São Paulo. O espaço é pequeno e aconchegante. Não conseguimos saborear a comida porque é necessário reserva que pode ser feita pelo site Osaka. Não abre aos domingos. No site O viajante comilão tem dicas do que pedir, parece que os fingerfoods compensam.

• Donde Augusto

Ocupando grande parte do mercado central de Santiago do Chile está este restaurante. Vários garçons disputam os clientes, a comida é saborosa e uma vitrine com os pratos pode ajudá-lo a escolher o que comer. Entretanto, este não é um restaurante muito barato. Segundo um taxista nos informou, há restaurantes, no próprio mercado, mas virados para a rua que tem comidas gostosas e mais em conta.

• Fast food Juan Maestro: (Imperdível!)

Acho que é este o nome. Com certeza, o melhor suco de framboesa que já tomei!
Em nossa última manhã no Chile e com um pouco mais de tempo para o café da manhã, decidimos toma-lo fora do hotel. Fomos então ao Shopping Estação Central onde encontramos esse modesto fast food. As opções eram as mais simples da praça de alimentação, portanto, as mais atraentes, pollo com palta ou outro sanduiche tipo misto quente (presunto e queijo). Compramos dois combos, escolhidos pelo lanche, e para minha surpresa, além da bebida quente, tinha direito a um suco. Mas, como meu espanhol é muito ruim, não tinha entendido que receberia os dois . Pedi um mocaccino (leite com chocolate) e ela me disse algo e os sabores: framboesa, pina etc… Sem saber o que era, pedi framboesa, claro! Era um suco natural, tão natural que tinha as sementinhas das framboesas! Maravilhoso! Tive de comprar mais um!

• Cevicheria peruana

Boa comida, a um preço justo. Além dos ceviches, poderá degustar alguns pratos quentes peruanos. Vale a pena.

• Mr. Fritz

Cachorro-quente com palta ou vagem.
Conheci o Mr. Fritz a primeira vez que fui para Santiago, no aeroporto, já quase sem dinheiro e voltando pra casa. Chamou-me a atenção, além do preço, ter palta (abacate) no cachorro-quente. Resolvi experimentar e adorei! Simplesmente muito bom: salsicha (acho que na chapa), tomate picadinho e palta! Voltando de Santiago, pela segunda vez, e lembrando o sabor do hot-dog, decidi voltar ao Mr. Fritz para saborear o cachorro-quente. Não era fome, era gula de hot-dog com palta. Meu marido pediu um tipo e eu pedi outro. Quando vieram os cachorros-quentes, um veio sem nada verde, logo falei: o meu é o outro, que tem palta. Então a frustração: não tinha palta na lanchonete, por isso o meu havia vindo só com o tomate, o outro verde era vagem! Claro que ao ver minha decepção ela me ofereceu a vagem… mas, o ponto era que eu só tinha ido ali por causa da palta, eu sonhava com aquele cachorro-quente!

VINHAS

Vinha_Concha-y-ToroVisitamos algumas vinhas em nossa primeira viagem ao Chile: Udurraga, Cousino Macul, Concha y Toro, Santa Rita e outras menores, nas quais tomamos um cálice de vinho ou almoçamos.

A Udurraga é muito bonita, lembra uma quinta portuguesa (ou a imagem que temos dela, nos filmes e na literatura). Pequena, aconchegante, o guia te leva lá nas videiras, apresenta cada uva, mostrando-lhe como reconhecê-la pelas folhas, ensinando-lhe a degustar o vinho. É uma experiência muito legal para quem tem algum tempo disponível.

A Cousino Macoul tem um prédio muito interessante, feito a partir de tijolos usados como lastro de navios que vinham dos Estados Unidos para o Chile. A construção é, sem dúvida, o ponto alto desta vinha, há a visitação às adegas e, apesar, do calor seco do clima chileno, é um prédio muito fresco devido à tipologia dos tijolos.

A Concha y Toro é para turistas! Quer dizer, o turista mais desinteressado, mais Disney World… A visita às videiras é bem rápida… isto é, ao iniciar o tour, o guia te leva até à frente da casa principal, conta sua história, indica o caminho das plantações e te adverte para dar uma olhada rápida, tirar fotos e, em seguida, correria para as adegas e ao tal Casillero del Diablo, tudo muito corrido. Chegando ao Casillero del diablo, começa um showzinho, umas projeções que contam a história deste vinho e pronto, corrida para a degustação e, em seguida, corrida para a lojinha lotada… Passeio talvez interessante, para quem está com crianças…

A Santa Rita já começa com uma experiência diferente: o caminho do portão até o centro de informações ao turista é uma boa e bela caminhada, neste momento, já se tem contato com as videiras, lindas, já se podem apreciar suas roseiras. Chegando ao local da compra dos ingressos para o tour, pode-se perguntar sobre a possibilidade de reservar o almoço após o tour ou, arriscar-se diretamente no restaurante. Nesta vinha há a opção de tour em língua portuguesa e até de um bike tour (a Turistik vende este roteiro, mas vale a pena checar se é possível fazer sozinho, pois com o grupo não dá tempo de almoçar). A visitação é a mais completa, caminha-se desde à videira, até as adegas, às barricas e até ao local de engarrafamento dos vinhos, é muito interessante. Ao final, claro, a degustação e a possibilidade de visitar a lojinha, onde os funcionários são muito simpáticos e lhes informa da possibilidade de levar até quatro garrafas de vinho na bagagem de mão. Isso mesmo: o Chile permite trazer vinhos na bagagem de mão! Eles são muito atenciosos, lhes dão sacos bolhas para embalar suas garrafas e trazer ao Brasil com menor risco de quebrarem pelo caminho… Depois das compras, finalmente, hora de bater à porta do restaurante Doña Paula e descobrir a boa comida, a um preço justo e, é claro, acompanhada de um bom vinho da casa, já indicado no cardápio ao lado dos pratos. Sem dúvida, é o passeio mais completo e prazeroso!

O QUE COMPRAR

Não se engane, apesar de ter uma moeda desvalorizada em relação ao nosso Real, Santiago do Chile é uma cidade cara para comer, comprar, passear e até para dormir. Quando for se organizar financeiramente para a viagem, pense no custo de sair em São Paulo, isto é, um almoço ou jantar em Santiago do Chile, para um casal, saí em torno de R$ 100,00 (cem reais).

Com as compras, não é diferente. Portanto, esqueça que é brasileiro e gosta muito de comprar! A única coisa para se comprar em Santiago do Chile é o artesanato local e, em especial os objetos feitos com lapiz lazuli, uma pedra azul com a qual são feitas pulseiras, anéis, gargantilhas, entre outros artesanatos. Verá lojas e ambulantes vendendo coisas com essa pedra por toda a parte!

VALPARAÍSO

Imagens valem mais que mil palavras… Valparaíso lembra o bairro da Boca (em Buenos Aires), no morro de Santa Tereza (Rio de Janeiro). Um lugar lindo, colorido e no qual está La Sebastiana, uma das casas de Pablo Neruda. Chegue cedo à cidade, suba e procure La Sebastiana (fecha cedo), depois, perca-se pelas ruazinhas, até sentir fome e chegar a La coco sangucheria artesanal, cujo dono é muito simpático além de tudo.

Imperdível: La coco Sangucheria Artesanal

Endereço: Monte Alegre, 546 – Cerro Alegre, Valparaíso
Imagina um sanduíche com abacate (palta), camarão e tomate cereja! Esta sanduicheria tem, com certeza, os melhores sanduíches que já comi. Opções com salmão, camarão e etc. Dá uma olhadinha no site, tem o cardápio. Veja se não dá água na boca.

VIÑA DEL MAR

Esta cidade parece o Guarujá, mas parece boa para pegar sol e praia! Embora fosse verão e a praia estivesse cheia, não perdemos muito tempo aqui, subimos logo a Valparaíso.

SEWELL

Sewell foi uma das boas experiências que tivemos no Chile. Apesar de ser uma cidade bem pequena e não nos ser permitido adentrar as minas de cobre. O passeio é feito apenas através de visita guiada, com a empresa VTS.

A visita é bem interessante porque adentramos o museu, antiga escola industrial; o antigo boliche, uma igreja que era utilizada por três denominações (católicos, protestantes e anglicanos) e que ainda têm uma bandeira chilena no altar. As escadarias abrigam detalhes interessantíssimos e este lugar é visitado principalmente por chilenos, pois resgata um pouco da história chilena e é Patrimônio da Humanidade.
Durante o inverno, a neve presente nas escadarias valoriza ainda mais o conjunto arquitetônico da cidade.

FARELLONES E VALE NEVADO

Como estávamos com tempo curto e medo da neve nas montanhas, contratamos a empresa Turistik para nos levar nesse passeio.

Pegaram-nos na porta do hotel, pararam para que alugássemos roupas próprias para a neve e então fomos à Farellones e ao Valle Nevado. Em Farellones, é possível esquiar ou fazer um “esquibunda”, isto é, descer no “tobogã nevado” dentro de uma boia. Já o Valle Nevado, é o maior centro de esqui do país.

Dica: Peça ajuda ao guia sobre a necessidade de locar trajes e sapatos de neve. Na ocasião, estava com uma calça esportiva que atendeu minhas necessidades e as botas, apesar de ter comprado bem barato, também funcionou bem.

2 comentários em “Chile: dicas de viagem

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