Estrangeirismo – Língua, cultura ou política?

Palavras estrangeiras são tão presentes no cotidiano brasileiro que muitas vezes nem notamos. Esse assunto tem gerado debates para regular o uso do “estrangeirismo”.


Revista 09 – Agosto 2013

Quando, como e, principalmente, onde podemos usá-los? O código de defesa do consumidor alerta: anúncios e promoções devem ser devidamente identificados, de forma que QUALQUER consumidor entenda… e isso inclui os que não sabem falar inglês.

Enter, start, play, delivery, off. As palavras estrangeiras são tão presentes no cotidiano brasileiro que muitas vezes nós nem notamos. Alvo de polêmicas, esse assunto tem gerado grandes debates no congresso, onde deputados e políticos tentam, vez ou outra, aprovar legislações que regulem o uso do “estrangeirismo”.

Documentos oficiais do governo podem utilizar “estrangeirismos”? Alguns deputados defendem que não. Se vivemos no Brasil, documentos oficiais devem conter apenas expressões nacionais.

A Academia de Letras da França tenta resolver esse problema por lá, abrindo um departamento que cria palavras “afrancesadas” equivalentes, no caso de neologismos (p
alavras novas) vindos da tecnologia e da ciência, os campeões de novas palavras.

E aqui, país que defende a bandeira de todas as raças, o “encontro das nações”, onde tudo acaba em pizza, daquelas com sotaque italiano e sabor paulista? Como lidar com o estrangeirismo no Brasil? Em primeiro lugar é preciso separar o neologismo do neocolonialismo. A língua é mutante por natureza, mas existem muitos casos onde o uso de palavras estrangeiras é adotado não como incorporação de novas expressões (como “scanner”), mas como expoente de “status”. 

“Movimentos puristas aparecem no mundo todo. E o fato básico é que todas as línguas tomam empréstimos das outras. Ao longo dos últimos 1.000 anos, o inglês incorporou palavras de mais de 350 línguas. Só 20% das palavras do inglês atual remontam às origens anglo-saxônicas. Essa incorporação de palavras tornou o inglês uma língua expressiva e rica. Shakespeare não poderia escrever o que escreveu se não contasse com um vocabulário que era germânico, francês e latino. Palavras se incorporam a uma língua não para destruí-la, mas para permitir novas oportunidades de expressão. Se cada palavra que entra no português apagasse uma palavra anterior, isso seria de fato um fenômeno estranho e indesejável. Porém, não substitui palavras preexistentes, ela passa a vigorar ao lado delas. A língua evolui desse modo e alcança uma gama expressiva mais ampla”, diz David Crystal (Professor honorário de linguistica da Universidade do País de Gales, em Bangor).


Abolir a origem ou a incorporação de novos termos pode ser uma atitude muito radical e, talvez, possamos até dizer impossível. Porém, podemos deixar um pouco de lado essa fascinação pela “grama verde do vizinho” e utilizar palavras nacionais quando elas existem como entrega / delivery, 50% off / 50% de desconto, deletar / apagar, amor / love, etc. Isso não é nem um pouco egoísta ou fora de moda, é simplesmente “brasileiro”.

Fechar as portas para o mundo não é lá muito coerente, mas nos submetermos a uma colonização cultural espontânea, também é um pouco demais, não? Que tal o “meio termo”? Afinal, também é importante termos orgulho em ser brasileiro!

Curiosidades: Você sabia que a nação de Israel foi totalmente colonizada e espalhada pelo mundo? Durante séculos os judeus viveram em países, línguas e costumes estrangeiros, em consequência de problemas e irresponsabilidades sociais. Em 1947, o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha deu um voto de Minerva (determinante) para a criação do Estado de Israel, devolvendo aos judeus o direito de voltarem para sua terra. Mesmo depois de tanto tempo espalhados e de gerações passadas, ao retornar, todos falavam a língua original (judaica) e mantinham seus costumes! Tudo isso já estava previsto na Bíblia e foi um feito histórico incrível! Para saber mais, clique aqui


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