Evolução do Fusca

Ele é pequeno, mas com seu estilo “simpático” conquistou gerações. Você sabe a história do Fusca?


Revista 12 – Agosto / Setembro 2014

1923_Fusca_Volkswagen_VW_beatle_historia_revista_gente_novaLançado oficialmente em 1.935, pelo então projetista Ferdinand Porsche, o Volkswagen podia ser comprado por quase todos, ao preço de 990 marcos, e era equipado com motor refrigerado a ar, sistema elétrico de seis volts e câmbio seco de quatro marchas (até então, só se fabricavam carros com caixa de câmbio inferiores a três marchas).

Um livro que publicado na Holanda questiona a legitimidade de Ferdinand Porsche como o homem que inventou o Volkswagen Beetle (Fusca). De acordo com o livro Het Ware Verhaal van de Kever (A verdadeira história do Fusca), do historiador Paul Schilperoord, o homem que desenvolveu o carro mais popular do mundo e que se tornou símbolo da indústria automobilística alemã foi o jornalista e engenheiro judeu Josef Ganz (1.898-1.967).

De acordo com o livro, que está sendo cogitado para servir de roteiro para um filme de cinema, Ganz era filho de pai alemão e mãe húngara, adorava engenharia automotiva e projetou em 1.923 o primeiro carro compacto com motor na parte de trás, carroceria arredondada e suspensão independente. Ele sonhava criar um carro que pudesse ser mais seguro e eficiente que os modelos da época e custasse o mesmo que uma motocicleta. Ganz entrou em contato com fabricantes de motos e, em 1.931, conseguiu finalmente construir o protótipo Maikäfer (Meu Besouro).

Após prestar serviços para a BMW e a Daimler, Ganz acabou preso pela Gestapo, polícia do regime nazista, em 1.933, acusado de chantagem. Libertado no ano seguinte, acabou tendo sua carreira como projetista prejudicada.

Ganz seguiu para a Suíça onde o próprio governo tentou roubar seu projeto. Para piorar, de acordo com o livro, Adolf Hitler ficou entusiasmado com a ideia de produzir um veículo popular em larga escala e designou Ferdinand Porsche para desenvolver o Volkswagen Beetle e ficar com todos os créditos pela obra.

O judeu Ganz nunca conseguiu comprovar ser o verdadeiro “pai” do Fusca. Após a Segunda Guerra Mundial, foi para a França tentar desenvolver seu carro pela companhia Automobile Julien, sem sucesso. Em 1.951, foi morar na Austrália onde trabalhou para a Holden, uma marca do grupo General Motors, morrendo em 1.967.

O livro de Schilperoord contém documentos importantes de Ganz e centenas de fotografias e desenhos inéditos do carro que inspirou o Fusca.

O primeiro projeto do Fusca era equipado com um motor dois cilindros, refrigerado a ar, que tinha um rendimento absurdamente ruim. Criaram o motor quatro cilindros, opostos dois a dois, chamado de Boxter, também refrigerado a ar, com suspensão independente dianteira, que funcionava através de barras de torção.

Foi um projeto ousadamente revolucionário, pois até então os carros da época eram feitos com motores refrigerados à água e suspensão que, em sua maioria, usava feixe de molas (tipo suspensão de caminhões) ou molas helicoidais.

Daí, as evoluções foram constantes: sistema de freios a tambor, caixa de direção tipo “rosca sem fim”; evoluções estéticas como quebra-vento, inversão do lado de abertura da porta, saída única de escapamento, estribo, entre outras.

1936_Fusca_Volkswagen_VW_beatle_historia_revista_gente_novaEm 1936, já reformulado, bastante semelhante ao Fusca de hoje, o Volkswagen era equipado com duas pequenas janelas traseiras; em 1.937, existiam 30 outros modelos em teste na Alemanha. E a partir de 1.938, iniciou-se a construção, em Hanover de uma fábrica na qual o Volkswagen seria fabricado em série.

Em 1.939, devido ao início da Segunda Guerra Mundial, o Volkswagen acabou virando veículo militar.

Derivados do Fusca, como jipes e até um modelo anfíbio (Shwinwagen, atualmente existem 3 no mundo, estando um no Brasil). A mecânica também foi mudada. Virabrequim, pistões, válvulas, o motor de 995 cc e 19 cv passou a ser de 1.131 cc e 26 cv Mais de 70 mil unidades militares foram produzidas.

1939_Fusca_Volkswagen_VW_beatle_historia_revista_gente_novaAo término da Segunda Guerra Mundial, a fábrica que estava sendo construída em Hanover, estava quase que inteiramente destruída. Seus projetistas, ninguém sabia por onde andavam, e de suas versões militares ninguém mais precisava, por pouco não foi o fim do Volkswagen.

Até um major inglês redescobrir o Volkswagen. Ivan Hirst resolveu “adotar” o velho Volkswagen, entre os escombros da antiga fábrica, a versão original do VW passou a ser reaproveitada. Retomada sua fabricação, o Volkswagen passou a ser utilizado em serviços de primeira necessidade, escassos naquela época, como correio, atendimento médico, etc.

Em 1.946, portanto, um ano depois, já existiam dez mil Volkswagen sedans em circulação. Em 1.948 existiam 25 mil, sendo 4.400 para exportação. Em 1.949 o Fusca já teria seu próprio mercado nos EUA.

1946_Fusca_Volkswagen_VW_beatle_historia_revista_gente_novaO Fusca, até então, era basicamente um projeto que havia dado certo, até meados de 1.956, quase nada havia mecanicamente mudado de seu projeto original. Mas, independente de seu projeto mecânico, a aparência do Fusca havia mudado bastante.

Em 1.951, havia duas janelas repartidas na parte traseira, embora continuasse sem os quebra-ventos;

1953_Fusca_Volkswagen_VW_beatle_historia_revista_gente_novaEm 1.953, o Fusca surgiria com quebra-ventos nas janelas laterais, e a partir da segunda série deste ano a janela traseira se resumiria a uma única, em formato oval. Nesse mesmo ano, o Fusca começou a ser montado no Brasil; em 1.959, começou a ser fabricado aqui.

No segundo semestre de 1.961, o sistema de sinaleiros (pisca-pisca) deixa de ser uma barra na coluna lateral central (também chamada de “bananinha”) e vai para as lanternas traseiras, juntamente com as luzes de freio. E assim as mudanças foram surgindo: o câmbio deixa de ser “seco” para ter as quatro marchas sincronizadas, o mesmo que existe até hoje.

1961a_Fusca_Volkswagen_VW_beatle_historia_revista_gente_nova1961_sinaleiro_Fusca_Volkswagen_VW_beatle_historia_revista_gente_nova

Em 1.967 o Fusca passa por uma importante mudança: ele ganha motor 1.300 cc ao invés dos 1.200 cc que o equipava até então e os aros das rodas também recebem furos para melhor ventilação do sistema de freios. Já em 1968 foi provado que o sistema de 6 volts que o equipava não era eficiente, aí o Fusca ganhou um novo sistema elétrico 12 volts e a caixa de direção passou a ser lubrificada com graxa.

Em 1.970 o Fusca sofreu uma grande transformação. Continuando com a versão 1.300 cc, surgiu, no segundo semestre, a versão 1.500 cc, essa com 52 cv (SAE) de potência.

Carinhosamente apelidado de “Fuscão”. Para essa versão, o Fusca também recebeu uma barra compensadora no eixo traseiro, para finalidade de maior estabilidade. Esteticamente o capô do motor ganhou aberturas para maior ventilação, novas lanternas, cintos de segurança. Como opcional, o Fusca tinha freios a disco na dianteira.

Mais mudanças vieram em 1.973. O novo sistema de carburação com carburadores recalibrados para menor consumo, e novo distribuidor a vácuo-centrífugo deram ênfase ao carro que sem dúvida era um sucesso total. Nunca vendeu tanto Fusca no Brasil como no ano de 1.974.

O Fusca teve uma produção de 239.393 unidades somente em 1974. Comparado à produção de 1969 que era de 126.319, foi um impressionante salto nas vendas. Tudo provava o absoluto sucesso do Fusca.

Foi também nessa época que surgiu o Fusca com motorização 1.600-S que rendia 65 cv (SAE) com dupla carburação. As mudanças mecânicas para esse ano eram o eixo dianteiro com bitola mais larga e a mudança estética foi o maior para-brisa para as versões 1.300 e 1.500.

Em 1.975, a linha VW foi ampliada com a chegada do novo motor 1.300, a versão 1.300-L e o modelo 1.600 passaram a ter a alavanca de câmbio mais curta e o filtro de ar do carburador de papel. Outras alterações estéticas e do painel também vieram.

Em 1.978 o bocal do tanque de combustível passou a ser do lado externo do carro, e não dentro do porta-malas como era até então.

1979_Fusca_Volkswagen_VW_beatle_historia_revista_gente_novaNo segundo semestre de 1.979, as lanternas traseiras ganharam nova forma e, pelo seu grande tamanho, esta versão do Fusca, a partir desse ano foi apelidado de “Fuscão Fafá”. Após quatro anos sem mudanças, em 1983 o “Super-Fuscão” desaparece. Adota-se novamente o nome oficial “FUSCA” para a nova versão que apresenta poucas inovações, tais como caixa e câmbio “Life-Time” (dispensa troca periódica de lubrificante), ignição eletrônica nos modelos à álcool, bomba de combustível com proteção anticorrosiva, válvulas termo pneumáticas nas entradas dos filtros de ar (com a função de controlar a temperatura do ar aspirado com a finalidade de melhorar a queima da mistura).

No ano seguinte, portanto em 1.984, muda tudo. A versão 1.300 do Fusca desaparece. Surge aí um novo 1.600 com pistões, cilindros e cabeçotes redesenhados, além de novas câmaras de combustão, o novo motor rendia 46 cv. a 4.000 RPM e torque máximo de 10,1 kgf/m a 2.000 RPM. Agora a medição foi feita no método DIN e não mais no SAE. Equipavam a versão também novos freios a disco na dianteira e barra estabilizadora traseira redesenhada para uma melhor performance aerodinâmica.

Foi em 1.986 que (temporariamente) acaba a carreira do Fusca. Embora o México continuasse a produzi-lo até 30 de junho 2.003, no Brasil sua linha de montagem chegara ao fim. Até que em 1.993, por pedido do então presidente, Itamar Franco, o Fusca volta “novo de novo”, como nesses seus 60 anos muito bem vividos.

1993_Fusca_Volkswagen_VW_beatle_historia_revista_gente_novaNa segunda fase de 1.993, sem mudanças na carroceria, nem no motor, o Fusca ganhou para-choques na cor do veículo, canalizador com uma única saída de escape no para-lama esquerdo, estofamentos novos, volante novo e muitos outros detalhes de acabamento, inclusive detalhes opcionais.

Quando todos não acreditavam no sucesso do relançamento do Fusca, as vendas foram mais que animadoras. Chegou-se a produzir mais de 40 mil novos Fuscas até sua oficial parada de fabricação anunciada em Julho de 1.996 o fusca deixou mais fãs por seu rastro.

Para comemoração da sua última série, foram fabricados os últimos 1.500 Fuscas carinhosamente chamados “FUSCA SÉRIE OURO” e cujos primeiros proprietários têm seus nomes guardados no Livro de ouro da VW.

Um Fusca Série Ouro é facilmente identificado, pois, neste seu último modelo, a VW “super-equipou” esteticamente a versão com estofamentos do Pointer GTI, desembaçador traseiro, faróis de milha, painel com fundo branco e vidros verdes (75% transparente). Essa foi a série de gala do querido carrinho. Mais uma vez nosso querido fusquinha cumpriu seu papel, sendo sucesso de vendas e de mercado.

Volkswagen_Fusca_BeatleOutra novidade foi o sucesso de seu relançamento oficial: montado em chassis do VW Golf e com seu novo nome já definido, o BEETLE volta às ruas brasileiras, em 1998, mostrando sua nova cara e dando continuidade a essa inigualável carreira que o “querido carrinho” fez por merecer.

E assim temos um exemplo de um projeto que alcançou o completo sucesso, e por trás dele um gênio imortal, um mito: Ferdinad Porsche.

E para quem imaginava ser esse o fim do Fusca… eis que aparece um novo modelo em 2.011!

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