Halloween: Nem travessuras, nem gostosuras

O Halloween é uma festa religiosa (ponto!). Não interessa se você não faz com esse intuito, não crê ou coisas do gênero. O próprio nome e todos os simbolismos são religiosos.


Revista 10 – Setembro/Outubro 2013

O Halloween é uma festa religiosa (ponto!). Não interessa se você não faz com esse intuito, não crê ou coisas do gênero. O próprio nome e todos os simbolismos e fantasias, ainda que você ache que não, são religiosos.

Dia 31 de outubro ou Dia das Bruxas, como ficou conhecido, é uma data comemorada por cada vez mais pessoas e, 98% delas nem sabe por quê. Participam por moda, porque é engraçado ou acham interessante usar fantasias macabras e sexy.

O fato é que é uma festa religiosa que, por motivos de colonização e imigração, se fundiu a outras religiões, fazendo um emaranhado de crenças disfarçado de cultura. Ora, ainda que cultura seja um termo amplo e totalmente cabível, não anula o sentido religioso. E, mais que uma bola de neve sagrada, o Halloween tem se espalhado como “cultura”, também se fundindo e tomando posse de outras culturas, pelo mesmo motivo colonizador. Além disso, um de seus maiores impactos está na educação e na formação do caráter.

Nessa matéria, você encontra um estudo estendido sobre o assunto, abordando desde a origem da data, os simbolismos, os aspectos religiosos, o impacto causado na cultura e, principalmente, na educação, além de dicas para jovens, pais e professores. Se você achava que Halloween era só uma brincadeira boba, então descubra porque o caso não é tão simples. Para facilitar, separamos os assuntos em tópicos.

A origem

Comemorado por boa parte dos países ocidentais, o Halloween foi levado por imigrantes irlandeses para os EUA, que se tornou seu maior expoente. Mas sua origem é uma celebração religiosa, pagã, dos povos celtas e tem mais de 2.500 anos. Para ser mais exato, é um dos oito sabás sagrados do paganismo.

O nome original era Samhain (Fim do verão) e, como toda festa pagã, se baseava na mudança da estação. Era a data que marcava o ano novo celta, ou seja, a virada do ano, pois era o período em que as folhas caíam, o que significava a vinda de uma nova fase. Também era o período de adoração ao deus “Samagin” (senhor da morte), que era invocado para o povo se consultar sobre o futuro. Eles acreditavam que nesse período (de 31 de outubro a 02 de novembro) a ligação entre o mundo físico e o mundo espiritual ficava mais frágil. Por essa separação ficar tênue, segundo eles, espíritos podiam tomar posse de humanos e se aproveitar para cometer atrocidades e destruição. Daí surgiram as máscaras e os objetos macabros espalhados pelas casas. De acordo com a crença, uma forma de acalmar esses espíritos era oferecer comida a eles, hábito que, mais tarde, inspirou mendigos a chantagear as pessoas, pedindo comida em troca de oração e depois se transformou no famoso “gostosuras ou travessuras” (tricks or treats), onde crianças e adolescentes se vestiam como espíritos e ameaçavam a vizinhança.


Os romanos, durante o Império, incorporaram o culto celta. A data se tornou “Dia das Bruxas” durante a Idade Média porque toda festividade pagã era chamada de bruxaria. Mas ainda que condenasse a comemoração, a Igreja Católica não conseguiu apagar a religiosidade pagã, então resolveu “cristianizar” a festa e chamou-a de noite do “Dia de Todos os Santos”, em inglês “All Hallows Even”, (assim como se comemora o Natal na meia-noite da véspera). Para a crença celta, seus ancestrais eram deuses, o que levou a igreja a comemorar, no dia 02 de novembro, o “Dia de Finados”, para celebrar seus ancestrais mortos também. Atitude extrema para tentar evangelizar os celtas e que acabou os induzindo a um erro grave, pois a Bíblia, base de toda a crença Cristã, recrimina claramente celebrações e culto aos mortos. (Mateus 22:32 | Isaias 8:19 | Marcos 12:27 | Eclesiastes 9:5).


“Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos”. (Deuteronômio 18:10-11)


“Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos”. (Lucas 20:38)


E foi do nome “All Hallows Even” que surgiu a abreviação Halloween. Porém, para os esotéricos, a palavra tem ligação com “Hallowinas”, nome dado às mulheres guardiãs do “saber oculto das terras do norte”, que eram sacerdotisas da Escandinávia.

Curiosidades
Halloween se escreve com “a”. Existe uma confusão por causa da banda alemã, de heavy metal chamada Helloween, com “e” porque significa “Hell” (inferno) + “Halloween” (dia de todos os santos).

Simbologia
Todos os símbolos da festa estão ligados ou fazem referência à morte. Porém, cada um tem seu “significado”. Abaixo você confere alguns deles:

Cores: nada de “esoterizar” as coisas. As cores laranja e preto são muito presentes porque antigamente utilizavam-se velas feitas de cera de abelha, que tem um tom alaranjado, e cobriam os esquifes com panos pretos. O simbolismo das cores estava ligado à morte, trevas e demônios. O preto também está ligado às vestes sacerdotais e o roxo é símbolo da magia;

Velas: usada em muitas religiões para “iluminar os caminhos” e uma forma de trazer luz. Espiritualmente, o fogo tem um simbolismo de portal;

Aranhas: seu significado é atrelado ao destino, por causa dos fios das teias, além de estarem presentes em locais escuros e abandonados;

Morcegos: animais noturnos, com estigma de se transformar em vampiros. Sugam sangue e sua “visão” “está fora dos olhos”;

Gato preto:
são os mais coitados. Atrelados a superstições de azar e bruxaria, acredita-se que as bruxas trocam de espírito com gatos. Um pouco dessa crença vem dos druidas, que tinham o gato como animal sagrado por acreditar que eram seres humanos encarnados em animal, por punição. A procura por esse animal na época do Halloween é enorme, principalmente para sacrifícios e rituais. O que levou o abrigo de Chicago e a Sociedade Protetora dos Animais, no Brasil, a proibirem a adoção durante esse período. Já a Zoonoses de São Paulo, não permite adoção de gatos em sexta-feiras 13;
Abóbora recortada e iluminada: a famosa abóbora com “cara” é um símbolo de alma condenada. Se originou na lenda irlandesa de Jack Ou’Lantern, um homem cuja a entrada no céu e no inferno foram negadas, pois ele se fazia de bom cristão e convidava o diabo para beber em sua casa, pregando peças nele, atitudes que o fez se “tornar uma alma condenada a vagar pelo mundo”.
E a educação?
Muitas escolas brasileiras vêm adotando a comemoração do Halloween nos últimos anos, o que é uma vergonha. Primeiro porque essa introdução da “cultura americana” é feita de forma aleatória e sem entendimento. Justamente na escola, onde se vai para aprender, implantam uma religião/cultura sem a menor preocupação do que está sendo ensinado. É tratada simplesmente como uma festinha para crianças e adolescentes, porque nem mesmo a coordenação ou os professores sabem as origens ou que estão passando.
Uma sobreposição à nossa cultura e já, desde cedo, um exemplo de “como é legal imitar norte americanos”.
Em segundo lugar, e na verdade o mais importante, o famoso “gostosuras ou travessuras” é um desvio de caráter. Que tipo de vivência moral estamos passando ao incentivar uma criança ou um jovem a chantagear? Talvez você não tenha levado tão a sério, mas em muitos lugares (e estamos falando de Brasil) as crianças de fato fazem “travessuras” ao não receber os doces. Há casos em que jogam ovos nas casas, pixam, furam pneus de carros, ofendem a vizinhança… uma verdadeira degradação. Quais são os valores e os limites que estão sendo ensinados para essa turma que está na fase de formação do caráter?
Agora você deve estar se perguntando: “Ok! E como fazer para nadar contra essa maré? Porque a mídia e a própria sociedade têm forçado essa comemoração, como justificar para meu filho, meus alunos ou amigos?”. Simples. A primeira coisa é a verdade. Se você leu a matéria, já não é mais ignorante, certo? Repasse o conhecimento, explique o que aprendeu. Tomar decisões e ter uma posição são atitudes importantes. Aproveite para dividir informações.
Depois, há várias formas de mudar esse cenário. No Chile, por exemplo, há diversas famílias e instituições que substituem o Halloween por uma festa “do bem”, chamada de “Festa da Primavera”. Colégios e até o comércio tem adotado a mudança, pois perceberam que muitos pais não estavam concordando com a festa macabra e procuravam alternativas para seus filhos.
Não precisa necessariamente ser uma “Festa da Primavera”, mas você pode aproveitar o momento para ensinar o que há de errado e sugerir novas posturas. Que tal uma “Festa da Vida”? Em vez de pixar, furar pneus, jogar ovos, reúna seus amigos ou, no caso dos adultos, seus filhos ou alunos e pinte um muro, plante árvores, leve alegria a orfanatos, faça um multirão para limpar sua rua… convide os vizinhos.

Promova a vida e o bem! Esses sim, são motivos para se comemorar.

Em nossa cultura

Se nos EUA o halloween chegou através de imigrantes irlandeses, após serem miscigenados à cultura romana durante o império, no Brasil, foi introduzido por colonização. E não foi em 1.500. Essa “onda” surgiu recentemente, nas duas últimas décadas.

Apesar de, teoricamente, sermos um país livre, uma República, ainda temos uma mente colonizada. Porque temos o país mais alegre do mundo, farto, repleto de riquezas naturais, até então éramos livres de catástrofes da natureza (com nossa interferência no meio ambiente, esse cenário tem mudado), com uma cultura extremamente vasta e, ainda assim, insistimos em copiar o modelo de vida americano.

Poderíamos dizer que é uma colonização cultural sutil, mas não é tão sutil assim. O sonho de quase todas as crianças é ir à Disney, os perfumes mais desejados são Victoria’s Secret, entrega é delivery e restaurante self-service, pôster e capas de revistas são dominados pelos vampiros americanos, se algum amigo vai aos EUA, você não o deixa voltar sem trazer algo (geralmente eletrônico), no dia das crianças… a comida só pode ser Mc Donald’s. E por aí vai. Há uma inversão de valor cultural, que tenta ser velada, mas há. Nem a autoestima econômica que o país tem passado, não impediu as escolas de inglês de implantar o Halloween no Brasil.

O governo tentou responder a onda americana determinando 31/10 como “Dia do Saci”, o que não resolve em nada. Assim como aconteceu com o catolicismo quando tentou se assemelhar ao paganismo, é capaz de o Saci Pererê sair pedindo doces com alguma bruxinha por aí. O que as pessoas precisam não é de um personagem, é de consciência.

No México, onde a crença de que a morte é algo bom, melhor que a vida, o “Dia dos Mortos” é a festa mais famosa. Até as padarias fazem pão em formato de caveira. No Brasil, o consumo de filmes e livros sobre morte, bruxaria, astrologia e vampiros cresce estrondosamente nessa época. Aliás, essa é a segunda data mais rentável ao comércio.

Agora, brasileiro, se você não é mexicano, nem celta, porque tem cultuado a morte?

“Disse Deus: Mas o que pecar contra mim violentará a sua própria alma; todos os que me odeiam amam a morte”. (Provérbios 8:36)

Sob o aspecto religioso

Halloween é um culto aos mortos. Faz parte de uma série de “sabás”. Os sabás são encontros de uma ou mais assembleias secretas de feiticeiros. Todos os significados do sabá giram em torno dos personagens centrais do ocultismo. São oito os sabás: Candelária (2 de fevereiro); Ostara ou Equinócio da primavera – para todas as regiões acima do meridiano equatorial (21 de março); Beltane (1 de maio); Litha ou Solstício de Verão (22 de junho); Lammas (1 de agosto); Mabon ou Equinócio de Outono (21 de setembro); Samhaim ou Halloween (31 de outubro); Yule ou Solstício de Inverno (22 de dezembro).
 
Samhaim é a assembléia mais poderosa e sagrada. O feiticeiro principal (sumo sacerdote) veste uma coroa e um espírito demoníaco toma posse do seu corpo. Durante as comemorações do Samhain (Halloween), culto ao deus “Samagin” (senhor da morte), acreditava-se que era possível ver o futuro, fosse ele bom ou ruim, através do fogo. Por isso, os povos faziam fogueiras enormes, de formas diversas e queimavam animais e humanos em sacrifício. Para eles, as entranhas dos corpos sacrificados era algo mágico e os auxiliava a, além de ver o futuro, fazer justiça. E, árvores e gatos, eram sagrados.
Os celtas criam que objetos poderiam influenciar na troca de energias, por isso, faziam rituais religiosos nus. E engana-se quem pensa que são coisas do passado. Apesar de haver divisão de opinião, muitos covens e grupos, no Brasil e no mundo, comemoram esta e outras datas com rituais, alguns exatamente como faziam os druidas, outros adaptaram aos rituais do ocultismo. Há pessoas que fazem culto individualmente, em casa, acendendo velas aos mortos.

Os antigos celtas formavam uma nação cujo povo ocupava as regiões da atual Irlanda, Reino Unido, França, Portugal e Espanha. Com as guerras e colonizações, o povo celta foi dizimado. A Irlanda foi o local onde conseguiram sobreviver por mais tempo. Ainda assim, sua cultura e religião existem e são praticadas até hoje, principalmente por algumas práticas terem se fundido ao catolicismo. Na Espanha, por exemplo, o traço dessa junção é tão forte que continua frutificando a tradição de honrar os mortos, a preocupação com almas “no Purgatório”, assim como lendas urbanas, sempre ligados à morte e a alguma forma de tentar suprimir o medo dela.


Essa cultura religiosa foi exportada com os colonizadores da América que deram sequência aos rituais religiosos praticados por seus ancestrais. Tudo isso foi formando e sendo introduzido na cultura norte-americana. Ainda que velada, mas intencionalmente dirigida para atrair adeptos, por suas práticas que satisfaziam valores das criaturas e não do Criador, esses “cultos” foram ganhando a conotação de “festas”, sem contudo perder a sua real significância.
Na Zona Norte de São Paulo, há uma igreja que ficou conhecida como “Santuário das Almas”, um lugar até um tanto sombrio, onde as pessoas acendem velas de tamanhos e formatos diversos para os mortos.
Segundo a Bíblia Sagrada, base dos cristãos: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mateus 6:24);
“Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos”. (Lucas 20:38).
O que nos leva a conclusão de que a religião celta, embora tenha seus precursores dizimados, continua viva pois é praticada não só por pagãos de outras origens, mas por outras religiões, como o catolicismo, por exemplo, de forma intrínseca e desapercebida. Tudo isso porque as pessoas repetem ou copiam costumes e incorporam celebrações, sem questionar as origens.


Uma breve conclusão…

Ufa! Agora você já sabe o que é o Halloween, as origens, os simbolismos religiosos ligados à festa (ainda que não sejam feitos com esse objetivo) e como tudo isso invade nossa cultura e, direta ou indiretamente, contribui para um desvio de princípios e caráter na formação de crianças e adolescentes.

A pergunta que fica é: “O que você vai fazer com toda essa informação?”. Depois de ler tantas coisas, vai fingir que esqueceu e seguir a vida como se nunca tivesse aprendido? Ou vai tomar uma posição, disseminar o conhecimento e levar o assunto ao debate com os amigos?
Qual é a sua opinião e a sua posição? Reaja!

2 comentários em “Halloween: Nem travessuras, nem gostosuras

  • 31/10/2011 em 17:07
    Permalink

    É uma comemoração que enrola a vida dos participantes.Aterrador.Culta das trevas

  • 31/10/2011 em 15:10
    Permalink

    A matéria está sensacional e muito coerente!!!
    Realmente, a gente tem o costume de participar de coisas que nem sabe o que é..
    Valeu a pena descobrir a verdade.

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