A maior árvore do mundo – Cajueiro

Esqueça tudo o que você já viu sobre árvores, essa é maior que um campo de futebol, ocupa um quarteirão inteiro bem no meio da cidade, dá 2 toneladas de fruto… e não pára de crescer!


Revista 09 – Agosto 2013

Em Pirangi do Norte, região litorânea a 12km de Natal (Rio Grande do Norte – Brasil), está o maior cajueiro do mundo. Estima-se que ele tenha sido plantado em 1.888, por um pescador que era proprietário do terreno ou por animais que, para se alimentar, enterram as castanhas. 
 
A árvore tem 8.500 metros quadrados de copa, produz (sozinha) 2 toneladas de caju por ano (uma média de 70 mil frutos), foi registrada no Guiness World Records como a maior árvore frutífera e tornou-se uma espécie de bosque, onde é possível passear por entre os galhos entrelaçados. 
 
Os frutos não são explorados por nenhuma instituição, servem apenas para os visitantes se deliciarem gratuitamente, podendo até levar alguns para casa. Sendo assim, a melhor época para visitar o cajueiro é durante o período da safra, que vai de setembro a janeiro, embora ele seja impressionante durante o ano inteiro. 
 
E porque cresce tanto? 

 

Duas anomalias na genética da semente fizeram com que o cajueiro não parasse de crescer. A origem da semente é natural e nunca se conseguiu reproduzir a anomalia, nem com os frutos da própria árvore, nem em laboratório. Apesar de florescer e frutificar, não há transmissão de herança genética gigante para outras sementes, o que a tornou única em sua espécie. O crescimento, diferente das outras árvores do gênero, se dá para as laterais e não para cima. Por causa dessa disfunção, os galhos não suportam o próprio peso e viram-se para baixo. E aí começa a segunda anomalia: ao tocar o solo, os galhos criam raízes e crescem mais, dando a impressão de ser uma nova árvore. Porém, devido a superficialidade dessas novas raízes, os galhos adicionais apenas auxiliam na alimentação da mesma, sendo todos dependentes do tronco principal. 

Atualmente o cajueiro é formado pelo tronco e mais cinco galhos base. Somente um deles não sofreu anomalia e deixou de crescer quando chegou ao solo. Os moradores locais o chamam de “Salário mínimo”. Como esse processo é contínuo, o cajueiro não pára de aumentar e seu principal atrativo tornou-se o maior problema: a árvore está ultrapassando os limites de sua área e invadindo o trecho urbano.
 
Cortar ou não cortar? Eis a questão! 

 

A pista da Rota do Sol, que fica ao lado do cajueiro, estava sendo invadida pela árvore, causando trânsito em horários de pico e gerando risco de acidente. E os habitantes estão dividos: poda ou não poda? 

Calcula-se que ele poderia chegar de 30 a 40.000 metros quadrados, se houvesse espaço. Isso preocupa os moradores vizinhos, que temem perder suas propriedades caso a árvore não seja podada.
 
Em 2.012, inauguraram o caramanchão na Av. Deputado Márcio Marinho, para suspender os galhos por cima da avenida. Isso só foi possível porque essa parte do cajueiro poderia ser podada sem prejudicá-la. 
 
Por outro lado, a lateral da árvore que se direciona para outras duas avenidas não pode ser podada, pois compromete a vida do cajueiro, o que seria um grande prejuízo não só econômico devido ao turismo, mas principalmente ambiental. Estuda-se uma forma de desapropriar os imóveis da área, assim como rotas alternativas para desviar o trânsito, para deixar a árvore crescer e construir em seu entorno o Complexo Turístico do Cajueiro. 
 
Dicas 

Toda uma estrutura foi criada “embaixo” e ao redor do cajueiro, como caminhos sinalizados, banheiros, feirinha de artesanatos e comidas baseadas no cajú, além de um mirante de onde é possível ver e fotografar o cajueiro inteiro do alto. Há também guias que falam inglês e espanhol de plantão. 

De qualquer hotel em Ponta Negra (Natal) é possível ir até o cajueiro de ônibus comum, que passa pela via costeira (onde estão os hotéis) e pára bem próximo à atração turística, na Rua do Cajueiro. Além de impressionante, o cajueiro é abrigo para uma espécie de sagui que, quando tem filhotes, vira uma atração à parte. Dedique um tempo para sentar e observá-los brincando, aproveite o ambiente agradável, pois é divertido e relaxante.
 
Cajú não dá só suco 
 
O cajú, conhecido muitas vezes por fruto do cajueiro, na verdade é um pseudofruto. Constitui-se em duas partes: o fruto, que é na verdade a castanha; e o seu pedúnculo floral, ou seja, o pseudofruto que é aparentemente carnoso, amarelo, rosado ou vermelho.
O nome, cuja origem é Tupi, tem como significado ‘noz que se produz’. A região onde se dá o cultivo é mais comum no nordeste brasileiro, na região litorânea. O tempo de colheita é de agosto a janeiro.
 
O fruto nativo do Brasil, foi levado pelos portugueses para a Ásia e a África. E, a partir dai, a produção se repartiu em mais de 31 países onde o clima é quente e úmido, fatores necessários para a plantação.
 
O caju possui uma variedade de propriedades e benefícios. O fruto é rico em vitamina C e ferro. Além disso, na amêndoa da castanha de caju existe uma grande concentração de proteínas e fibras, ricas em aminoácidos, vitaminas e minerais. Acredita-se ainda que a castanha possa contribuir no combate às doenças cardíacas. O pseudofruto ao natural também é excelente no combate ao reumatismo e eczemas de pele. 
 
Curiosamente, o óleo da castanha de caju (processo gerado pelo cozimento das folhas novas do cajueiro) é considerado potente antisséptico, pois ele limpa as feridas e promove sua cicatrização. Esse óleo é também indicado no combate a vermes intestinais. 
 
Apesar de tantos benefícios, o caju ainda contribui muito para a preparação de deliciosos pratos feitos com o próprio fruto e sua castanha. 
 
Sucos, mel, doces, passas, rapaduras e carnes são umas das opções dentre as quais o fruto servirá como matéria-prima. Além disso, sua utilização torna as refeições muito mais saudáveis e menos calóricas. 
 
Por possuir uma fermentação rápida, seu suco pode ser destilado para originar a produção de aguardente. Bebidas não alcoólicas como a cajuína também são fabricadas pelo caju. 
 
O “Líquido da Castanha de Caju” ou LCC, depois de beneficiado é utilizado em resinas; materiais de fricção; em lonas de freio e o outros produtos derivados; vernizes; detergentes industriais; inseticidas; fungicidas e até biodiesel. 
 
A castanha, depois de torrada, é utilizada como petisco, sendo exportada para quase todo mundo. A castanha verde é usada em pratos quentes. 
 
O fruto tem um cheiro inebriante, mas os desavisados se frustam ao mordê-lo. Isso porque o cajú solta uma nódea, que embora seja excelente para nosso sistema imunológico, é extremamente amarga. Porém, a concentração dessa nódea está nas extremidades do fruto (de cima e de baixo). Para prová-lo, não é preciso descascar, basta cortar essas extremidades ou morder apenas nas áreas do meio.
 
Cuidado, a calda do cajú mancha a pele e tecidos, não deixe respingar na roupa e lave bem as mãos e o rosto após utilizá-lo. 
 
Apesar de muito chamativo o fruto, o bom mesmo é consumir seus derivados: sucos, doces e castanhas manipuladas. Além de muito saborosos, tanto o cajú quanto a castanha possuem propriedades medicinais. 
 

Utilidade Terapeuticas  

Aftas – Aplicar o suco dos brotos das folhas novas do cajueiro.
Anti-séptico e Feridas – Fazer cataplasma dos brotos das folhas do caju, este promove uma boa cicatrização. Mas só pode ser aplicado desde que não tenha pus e coágulo sanguíneo.
Calo e Verrugas – Colocar no local na forma de cataplasma, o suco das castanhas frescas, três vezes ao dia.
Dor de dente – Aplicar óleo da castanha de caju. Este óleo é muito raro de se encontrar. Tenha cuidado este óleo é muito perigoso ele contém ácido anacárdico.
Gripe – Por ser rico em vitamina C recomenda tomar suco de caju sem açúcar.
Lepra e Psoríase – Recomenda-se o óleo de caju. Infelizmente não é fácil de encontrar à venda. O óleo é extraído da castanha e contém ácido anacardico. E sua utilização requer acompanhamento de um terapeuta experiente.
Reumatismo – É indicado fazer refeição exclusiva de dois a três dias.

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