Museu é chato?

Porque crianças e adolescentes não gostam de ir ao museu? Saiba como reverter e essa situação e qual o papel da família.


Notícias – 09 de junho de 2015

Por: Daniela Antoniazzi é preparadora e revisora de textos; formada em Letras inglês/português pela FFCLCH USP e especialista em tradução. [danielaga.antoniazzi@gmail.com]

Museu Inhotim – MG

Já fui questionada, muitas vezes, sobre o porquê do jovem não gostar de museus e como fazê-lo gostar. Confesso que nunca consigo responder, pois, para mim, esta é uma pergunta “sem pé, nem cabeça”.

Lembro-me de minha infância, quando ir ao museu era um evento, uma forma de interagir com a família, com o grupo escolar e, principalmente, de descobrir coisas novas.

Museu Paulista / Museu do Ipiranga

Em muitos domingos, meu pai nos levava para visitar a Pinacoteca, o Páteo do Colégio, o Masp, o Museu Paulista (conhecido como Museu do Ipiranga) entre outros.

Visitar museus era incrível: primeiro porque ficávamos mais próximas do meu pai (ele trabalhava muito e pouco ficava conosco); segundo, porque ver todos aqueles quadros na Pinacoteca e no Masp, por exemplo, fazia-me querer saber mais. Sempre me questionava como aqueles “gênios” conseguiam aquele resultado. Admirava tudo e queria tentar entender nossa cultura e nossa história. Imaginava-me em tempos antigos, como uma cidadã da época, ou, simplesmente, admirava quantas coisas belas existiam no mundo.

Com a escola, a experiência também era incrível: visitava tais lugares e ainda ganhava uma monitoria exclusiva dos meus professores. Lembro-me, até hoje, da exposição de Niki de Saint Phalle na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no ano de 1997. Como aquela contradição entre o dourado e o colorido me marcou. Lembro-me das Nanas não apenas como experiência cultural, mas afetiva também. Ao olhá-las, ainda hoje, recordo todas as obras que estavam em seu redor naquela época.

Museu da Língua Portuguesa

Vinte anos depois, continuo a frequentar museus, cada vez mais e, quando visito um museu, além de admirar suas obras, tentar entendê-las ou reconhecer seus autores; sempre observo como as crianças reagem a elas. Percebo que na maioria das vezes, com curiosidade, como provavelmente eu fazia na infância.

Nos últimos anos, por exemplo, fui a algumas exposições simplesmente prazerosas para elas. Uma delas, A ópera da Lua, dos Gêmeos, no Galpão Fortes Vilaça era uma instalação com pinturas, esculturas e uma videoinstalação dos irmãos artistas. A organização das imagens, assim como a riqueza de suas cores, despertava o lúdico não só nas crianças, mas nos adultos também. Os tablets e celulares eram usados apenas para registrar cada uma das imagens e divulgar “estou aqui, venham, está incrível!”. Além desta, Transarquitetônica, no MAC e Histórias mestiças, no Instituto Tomie Ohtake, que estavam até janeiro de 2015, despertaram certamente o olhar infantil.

Museu Inhotim - MGReforço, portanto, a ideia de que as crianças e jovens devem ser levados sim aos diferentes museus da cidade, aos mais conservadores e aos mais contemporâneos, sem restrições, sem se preocupar com o fato de que compreenderão ou não integralmente o que “cada obra quer dizer”. Ter contato com diferentes formas de arte, em diferentes espaços e diferentemente organizadas, é apenas o primeiro passo para despertar seu interesse.

Mesmo que o passeio seja uma desculpa para conviver, sabemos que todos são capazes de admirar o belo e se chocar com o grotesco. Por menos que você entenda de arte, tanto você, quanto a criança ou o jovem ao seu lado serão de alguma maneira impactados por ela.

Portanto, impedir esse contato é como impedir que seu filho coma “alface” porque você não gosta ou porque não sabe se ele gostará; se lhe fará bem ou não! Pense nisso!

Museu da Lingua Portuguesa

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